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Remédio pior que a doença


À medida que avança a contaminação pelo Covid19 as incoerências na política de combate à doença começam a aparecer e serem questionadas.


Estou escrevendo este texto em 24 de março. Hoje no mundo temos hoje 273.438 pessoas infectados, 17.224 óbitos e 103.433 paciente já recuperados. No Brasil temos 1.924 infectados, com 34 mortes. Uma análise otimista dos números está indicando que a situação no Brasil pode ser mais branda do que a dos países do norte.


Enquanto Governos Estaduais como São Paulo e o Distrito Federal paralisaram parte das atividades econômicas e estão investindo maciçamente na construção de hospitais de emergência, como os dos estádios do Pacaembu e o Mané Garrincha, com as obras a todo vapor. Na maioria das cidades e Estados, entretanto, as ações estão se restringindo à paralização das atividades produtivas. Prefeitos estão fechando as suas cidades, as suas fábricas e o comércio, que não seja o de alimentos e remédios, provocando a interrupção da quase totalidade das atividades produtivas. Muita gente começa a ficar seriamente preocupada com os efeitos futuros desse tipo de ação. Se analisarmos a situação de Leopoldina, frente ao avanço da doença e às medidas adotadas vemos o município com uma população estimada de 52.000,00 habitantes.


Sabemos que o Covid19 é inofensivo para 90% das pessoas infectados. Para 5% dos infectados ele produz reações leves que podem ser tratadas em casa, com o confinamento do doente. O maior problema são os 5% da população, que são séria e gravemente afetadas pelo vírus e que precisam de tratamentos intensivo nas UTI, inclusive com o uso de respiradouros mecânicos. Esses 5%, de alto risco, são formados majoritariamente por pessoas acima de 60 anos com alguns problemas preexistentes, tais como hipertensão e diabetes. Em Leopoldina esse grupo de alto risco é composto por cerca de 260 pessoas e para tratá-las a cidade só possui 8 leitos de UTI e não consegui saber de quantos respiradores adequados dispomos. Fica claro que a cidade não dispõe de recursos de saúde para tratar o seu grupo de risco. É claro que o isolamento e a paralisação das atividades são uma forma eficaz de diminuir a progressão da doença, mas o que preocupa é não se ter nenhuma notícia sobre o aumento da capacidade de atendimento. Sem isso como vamos sair da paralização? A


Prefeitura está devendo aos cidadãos o seu plano de aumento da capacidade de tratar nosso grupo de risco e com essa atitude nos mostrar um futuro de retorno à normalidade de nossa cidade. Quantos novos leitos de UTI a Prefeitura pretende criar?


Onde serão instalados? Quantos profissionais de saúde serão contratados em caráter emergencial? Sem essas respostas nós não temos como saber qual será o nosso futuro.


O final de março se aproxima e muita gente não terá recursos para pagar seus empregados e seus aluguéis, vão começar as demissões o fechamento de empresas e nessa hora as pessoas perceberão que o remédio pode ser pior que a doença.


Faço aqui um apelo à Prefeitura, mostre seus planos para cuidar de nosso grupo de risco e nos dê uma perspectiva de futuros. Chegou a hora de mostrar o que será feito além de nos trancar em casa.


É uma hora de crise profunda e a conta não pode ficar só nas costas da iniciativa privada, o governo tem que fazer a sua parte. Não podemos copiar o exemplo do Governo Federal onde o Congresso autorizou o Governo se endividar para enfrentar a crise, mas foi incapaz de mexer nas suas mordomias, o Fundo Eleitoral continua intocado, o dinheiro para Emendas eleitoreiras ninguém consegue mexer, suas cotas de diárias e passagens continuam as mesmas e o almoços de lagosta e champanhe do Supremo seguem como se nada tivesse acontecendo .Enquanto isso nossa população, trancada em casa, vê seus empregos sob risco, vê a carestia bater à sua porta sem que se possa fazer absolutamente nada. Infelizmente, e como sempre acontece, a recessão que fatalmente virá será muito mais dura com os pobres, onde quase 50% dos trabalhadores vivem na informalidade. No próximo dia 06 de abril muitos trabalhadores não saberão se receberão ou quanto receberão de seus salários. Mas essa preocupação não assola o mundo político, eles continuam imunes e indiferentes às crises que fazem nosso povo sofrer. Depois vão se surpreender com o que vai sair das urnas.



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