MPMG denuncia nove pessoas por organização criminosa ligada ao Comando Vermelho em Leopoldina
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Acusação é resultado da Operação Quione e está entre as primeiras do país fundamentadas na nova Lei Antifacção

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou nove pessoas apontadas como integrantes de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho, com atuação em Leopoldina, municípios da Zona da Mata mineira e no estado do Rio de Janeiro. A denúncia foi apresentada com base nas investigações da Operação Quione, deflagrada em julho deste ano.
A acusação foi oferecida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Regional de Visconde do Rio Branco e pela 1ª Promotoria de Justiça de Leopoldina. Segundo o MPMG, os denunciados fariam parte dos núcleos de comando, liderança e apoio da organização investigada.
Um dos principais aspectos do caso é que a denúncia está entre as primeiras do país fundamentadas na Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção. A legislação criou o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado e estabeleceu novos tipos penais destinados ao enfrentamento de organizações que utilizam violência ou grave ameaça para exercer domínio territorial e controle social sobre comunidades.
Operação Quione
A Operação Quione foi deflagrada em 9 de julho de 2026, em uma ação conjunta do MPMG e da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Ao todo, foram cumpridos 70 mandados judiciais, sendo 27 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão.
As medidas foram realizadas em Leopoldina, Recreio, Juiz de Fora e no estado do Rio de Janeiro.
Durante a operação e as investigações relacionadas ao grupo, foram apreendidas mais de cinco mil porções de drogas, quatro fuzis e diversos carregadores de armas de fogo.
Investigação aponta estrutura organizada e atuação regional
De acordo com o Ministério Público, as investigações identificaram uma organização com estrutura considerada permanente e hierarquizada, com divisão de funções e logística própria para a distribuição de entorpecentes.
Ainda segundo a denúncia, as drogas seriam recebidas do estado do Rio de Janeiro e posteriormente distribuídas em Leopoldina e outros municípios da região.
As investigações também apontaram, segundo o MPMG, ações destinadas à expansão e manutenção do domínio territorial em bairros de Leopoldina e cidades vizinhas.
Outro elemento identificado pelos investigadores foi a existência de uma padronização na logística de comercialização dos entorpecentes. Embalagens, etiquetas e outras referências semelhantes teriam sido encontradas em diferentes apreensões, indicando, conforme a acusação, uma possível cadeia centralizada de fornecimento e distribuição.
Violência e controle social
Além do tráfico de drogas, o Ministério Público afirma que os investigados teriam utilizado violência e intimidação como instrumentos de controle social.
Segundo a denúncia, integrantes do grupo impunham regras de convivência aos moradores, promoviam punições internas conhecidas como “disciplinas” e “tribunais do crime”, monitoravam a atuação das forças de segurança e utilizavam armamentos de uso restrito.
A investigação também identificou suspeitas de recrutamento de adolescentes para atividades criminosas e iniciativas destinadas a aumentar a influência da organização nas comunidades. Entre as práticas investigadas estão o financiamento de eventos locais e a discussão sobre a cobrança de valores de moradores para posterior distribuição de benefícios.
Nova Lei Antifacção
A Lei nº 15.358/2026 passou a estabelecer mecanismos específicos para combater organizações criminosas consideradas ultraviolentas e grupos que utilizem violência, ameaça ou coação para controlar territórios ou exercer influência sobre comunidades.
Entre as novidades está a previsão de punições mais severas para determinadas condutas relacionadas ao chamado domínio social estruturado. A legislação também prevê agravantes em situações envolvendo liderança de organizações, armas de uso restrito e participação de crianças ou adolescentes.
No caso de Leopoldina, a utilização da nova legislação dá ao processo relevância nacional, já que, segundo o MPMG, a denúncia está entre as primeiras apresentadas no país com fundamento na Lei Antifacção.
Denúncia agora será analisada pela Justiça
Com a apresentação da denúncia, cabe agora ao Poder Judiciário analisar o recebimento da acusação e o eventual prosseguimento da ação penal.
Os nove denunciados são investigados no âmbito da Operação Quione e, neste momento, as acusações apresentadas pelo Ministério Público ainda serão submetidas ao devido processo legal, com direito à defesa e ao contraditório.
O caso reforça a atenção das forças de segurança para a atuação de organizações criminosas com ramificações entre a Zona da Mata mineira e o estado do Rio de Janeiro, especialmente em municípios próximos à divisa entre os dois estados.



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